Como cuidar da saúde mental e da limpeza da casa juntas

Quem nunca decidiu limpar um forno, tapete ou parede para aliviar o estresse? Ou, desanimado e deprimido, deixou roupas, louças e sujeiras se acumularem por dias? Vamos entender a relação entre a limpeza da casa e a saúde mental!
Como cuidar da saúde mental e da limpeza da casa juntas

Setembro amarelo é a campanha que destaca a importância de cuidar da saúde mental na prevenção do suicídio. E o que um blog de limpeza tem a ver com isso? Se não tudo, muita coisa! 

Isso porque cuidar da saúde mental tem a ver com organizar as emoções e limpar pensamentos tóxicos. A forma como nos relacionamos com nosso ambiente externo, principalmente nossa casa, pode refletir alguns estados mentais. 

Quem nunca decidiu limpar um forno, tapete ou parede para aliviar o estresse? Ou, desanimado e deprimido, deixou roupas, louças e sujeiras se acumularem?  

 Vamos conversar sobre isso? Neste texto, você vai ver como a limpeza da casa ajuda a cuidar da saúde mental, mas também a reconhecer quando é preciso buscar ajuda. 

O que é saúde mental? 

Saúde mental é mais do que a ausência de transtornos mentais. E também vai muito além da imagem clássica da pessoa meditando em cima de uma montanha. 

Saúde mental é parte do conceito integral de saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela não se separa da saúde física.  

A saúde mental tem a ver com a sensação de bem-estar e com as habilidades que cada pessoa tem para lidar com suas emoções e ideias diante de desafios cotidianos, de forma produtiva e equilibrada.  

Dessa forma, organizar as emoções  saber o que provoca raiva, medo, tristeza, bem como o que desperta sensações boas, como conforto, alegria, tranquilidade  é parte essencial do cuidado com a saúde mental.  

A saúde mental interfere na saúde física e vice-versa 

Engana-se quem pensa que tudo isso ocorre apenas dentro da cabeça. As emoções estão diretamente relacionadas com os hormônios que produzimos no nosso corpo.  

De forma simplificada: endorfina, dopamina, serotonina e ocitocina são conhecidas como os hormônios da felicidade. São produzidos em situações prazerosas e alegres. A produção também é estimulada com a alimentação saudável (frutas, carboidratos, proteínas e, por que não, aquele chocolatinho 70% cacau) e com a prática de atividades físicas. Aliás, sabe aquela sensação boa de missão cumprida e casa limpa? É a endorfina sendo liberada! 

Já o cortisol e adrenalina são os famosos hormônios do estresse que nosso corpo aciona em situações de perigo para nos preparar para a luta ou para fuga. Em doses equilibradas, eles nos ajudam a tomar atitudes e são benéficos. Mas, em exagero e sem formas de escape, podem levar a atos impulsivos e ainda se acumular nas artérias e aumentar o risco de doenças cardíacas.  

As manifestações de desequilíbrio também são físicas: podemos ficar agitados ou prostrados, ter alterações no sono ou no apetite, sem vontade de levantar. E quando frequentes, esses comportamentos podem ser sintomas de depressão, ansiedade, estresse ou mesmo burnout  que é o esgotamento mental relacionado com o excesso de trabalho.  

Faxina de casa e saúde mental: como um ajuda o outro? 

Lar doce lar. Vamos voltar à sensação que falamos agora há pouco: aquela endorfina boa liberada junto com o cheirinho de casa limpa. Não é só com você! Reunimos alguns estudos que mostram que uma coisa tem tudo a ver com a outra! 

Casa desorganizada aumenta o nível de estresse 

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Um estudo da Universidade da Califórnia realizado com mulheres indica que a relação casa limpa e bem-estar pode ser mais universal do que imaginamos. As mulheres que descreviam suas casas como desordenadas ou cheias de projetos inacabados tinham maior tendência à depressão e níveis mais elevados de cortisol. Em contrapartida, aquelas que descreviam seus lares como lugares aconchegantes e restauradores apresentavam maior satisfação com outros aspectos da vida também. 

Leia também: Como deixar seu quarto organizado! 

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A desorganização da casa afeta o córtex visual 

Outro estudo, da Universidade de Princeton, também sugere essa relação. Segundo os pesquisadores, a desordem e a bagunça afetam o campo visual e podem criar mais estresse e ansiedade. Mas, ao limpar e reduzir a desordem, as pessoas assumem o controle de seu ambiente e conseguem se concentrar melhor nas questões mais urgentes.  

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Limpar para desestressar! 

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Além do efeito visual da organização, o ato de limpar a casa também foi apontado como benéfico para a saúde mental  e física.  

Você já “se jogou” numa faxina para aliviar o estresse? Fez certíssimo! Esfregar um tapete com vontade e vigor é uma ótima forma de extravasar o cortisol.  

Um estudo publicado pelo British Journal of Sports Magazine mostrou que apenas vinte minutos de atividade física já são suficientes para reduzir os níveis de estresse. E a faxina está entre as atividades listadas! 

O resultado também é significativo em outra pesquisa feita com 3 mil escoceses. O estudo apontou que os riscos de desenvolver depressão ou ansiedade diminuem em até 20% com essa atividade.  

Mas o que vem primeiro: a faxina ou a saúde mental? 

Aqui é uma questão do tipo ovo e a galinha – típica do vice-versa: você se sente bem porque limpou a casa ou limpou a casa porque se sente bem? 

Quando a pessoa está deprimida, ansiosa ou estressada pode perder a motivação para limpar e organizar as coisas. Dessa forma, a casa pode servir de sintoma para mostrar que algo não vai bem com a saúde mental. 

Aquela pessoa que amava limpar e organizar as coisas, de repente passou a se importar menos? Pode ser um sinal de que ela está precisando de ajuda.  

O exagero também é um sinal de alerta! 

A compulsão pela limpeza pode ser usada como escape para não lidar com outras questões. Se a obsessão por faxina e higiene fizer a pessoa abdicar de atividades de lazer e convívio social é importante conversar sobre e buscar ajuda.  

Como cuidar da saúde mental 

Mas claro que a saúde mental não se reduz à organização da casa. Para cuidar da saúde mental, é preciso cuidar de si em primeiro lugar! Reunimos seis dicas essenciais: 

1. Durma bem. O sono é vital para a regulação de hormônios, para o sistema imunológico e também para a saúde mental. 

2. Busque equilíbrio: tente balancear sua agenda, para ter tempo para atividades prazerosas e não só cumprir tarefas e compromissos 

3. Cuide da saúde: alimentação equilibrada e o mais natural possível, com frutas e verduras, beber água, além de praticar atividades físicas regulares fazem bem para o corpo e para a mente. 

4. Boas relações: busque conversar com as pessoas que você gosta, mesmo à distância. 

5. Exercícios de autoconhecimento: meditação e terapia são ótimos caminhos para você se compreender. E não precisa estar mal para buscar esse tipo de prática 

6. E, claro, busque ajuda profissional se sentir que precisa de ajuda extra.  

Como ajudar amigos e familiares a cuidar da saúde mental? 

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Como vimos acima, a saúde mental não é a ausência dos problemas, mas sim a capacidade de lidar com eles  e nem sempre conseguimos isso sozinhos. Por isso, é importante buscar ou oferecer ajuda para passar por momentos difíceis. 

Fatores externos como perdas de pessoas queridas, crise financeira e doenças, por exemplo, podem abalar a saúde mental de qualquer um. E mesmo questões que possam parecer triviais para você, podem ser fonte de sofrimento real para alguém. 

Conversar e praticar a escuta ativa, empática e sem julgamento é a melhor forma de ajudar a pessoa a cuidar da saúde mental.   

Se você mora junto com a pessoa, assumir ou compartilhar essas tarefas domésticas também é essencial. Muitas vezes, a sobrecarga é uma das causas do mal-estar.  

Conclusão: não esconda sofrimentos embaixo do tapete 

Apesar de liberar endorfinas que provocam a sensação de bem-estar e ajudam a reduzir os níveis de estresse, a faxina não substitui a terapia e o acompanhamento médico. É preciso agir na raiz do problema. 

“Tem pessoas para quem arrumar funciona muito bem, e outras que não, porque nunca acabam de arrumar e não passam à ação. A ordem pode ser uma válvula de escape quando você precisa começar a trabalhar certas coisas da sua vida. Ordenamos primeiro objetos materiais e pensamentos, e depois nos pomos a trabalhar para nós mesmos”, explicou o psicólogo Tasio Rivallo em entrevista ao jornal El País sobre o tema.  

 Se perceber sintomas  em você ou em alguém próximo  de que não está bem, procure ajuda.  

Conversar ajuda a organizar os pensamentos e emoções e a encontrar saídas. Não hesite também em buscar orientação psicológica e psiquiátrica. Existem alternativas de tratamento também pelo SUS 

Também existem grupos de psicólogos e psiquiatras que oferecem terapias gratuitas ou a preços mais acessíveis. O site Hypeness listou alguns desses serviços por estado. Confira aqui! 

Além disso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio. Dessa forma, atendem voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo pelo telefone 188, e-mail e chat 24 horas todos os dias. 

Se você busca o cuidado da saúde mental no dia a dia, cuidar das plantinhas em casa pode ser uma atividade terapêutica. Confira nossas dicas aqui

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